O Cisco Live 2026, realizado em Las Vegas, marcou um momento bem diferente dos eventos anteriores. Desta vez, a Cisco deixou claro que o foco não é mais falar apenas de inovação ou tendências futuras, mas mostrar como operar, proteger e escalar ambientes críticos em um mundo cada vez mais dominado por agentes de IA.
Desde o primeiro keynote, o recado foi direto: a IA saiu da fase experimental e entrou de vez na fase operacional. Não estamos mais falando só de chatbots ou assistentes, mas de agentes autônomos, capazes de tomar decisões, executar ações e interagir entre si em velocidade de máquina. E isso muda completamente a forma como redes, segurança e operações precisam funcionar.
A era Agentic AI: quando humanos e agentes trabalham juntos
Um dos conceitos mais citados ao longo do evento foi o de Agentic AI. Na prática, isso representa uma mudança grande no modelo tradicional de IA. Em vez de sistemas que apenas respondem a comandos, estamos falando de agentes que entendem contexto, avaliam cenários e executam ações reais dentro da infraestrutura.
Durante o keynote de abertura, a Cisco trouxe dados que chamaram bastante atenção:
agentes de IA podem gerar até 450% mais tráfego do que usuários humanos, e o tráfego relacionado à IA deve triplicar nos próximos três anos.
Isso cria um desafio imediato para as empresas. Não basta adotar IA. É preciso ter infraestrutura preparada, segura e com visibilidade, capaz de sustentar esse novo modelo de operação. Nesse ponto, a Cisco foi bem clara: não existe Agentic AI sem controle, governança e segurança desde o design.
Cisco Cloud Control: o centro da estratégia da Cisco
O grande destaque do Cisco Live 2026 foi o Cisco Cloud Control, apresentado como o coração da estratégia da Cisco para a era Agentic.
A proposta é simples de entender, mas bastante ambiciosa:
centralizar a operação e a defesa de toda a infraestrutura crítica em uma única plataforma, cobrindo rede, segurança, observabilidade, compute e colaboração.
Com o Cloud Control, humanos e agentes de IA passam a operar no mesmo contexto, utilizando recursos como:
- Troubleshooting em linguagem natural
- Visibilidade cross-domain, correlacionando rede, segurança e aplicações
- Execução automatizada de runbooks e procedimentos operacionais
- Integração com dezenas de parceiros via marketplace
É aqui que nasce o conceito de AgenticOps, onde a operação acontece na velocidade dos agentes, mas sem abrir mão do controle humano.
AI Canvas e Cloud Control Studio: menos PDF, mais automação real
Dentro do Cloud Control, dois componentes chamaram bastante atenção.
O AI Canvas funciona como um espaço colaborativo onde times de operação e agentes de IA compartilham o mesmo histórico, contexto e decisões. Diferente das ferramentas tradicionais, o contexto não se perde entre alertas, tickets ou trocas de turno. Tudo fica conectado.
Já o Cloud Control Studio é o ambiente onde clientes podem criar seus próprios agentes e aplicações usando linguagem natural. A ideia é transformar conhecimento operacional em automação executável, auditável e governada.
Na prática, runbooks deixam de ser documentos esquecidos e passam a ser fluxos vivos, executados por agentes sob supervisão humana.
Segurança na era dos agentes: Zero Trust também para IA
Segurança foi um dos temas mais fortes do evento, e a Cisco foi bastante direta:
agentes autônomos aumentam eficiência, mas também ampliam riscos.
Por isso, foi apresentado um modelo de Zero Trust aplicado à comunicação entre agentes, incluindo autenticação forte, controle de identidade, inspeção de intenção e autorização baseada em contexto. Esse modelo vale tanto para agentes internos quanto para integrações externas, APIs e serviços SaaS.
Em ambientes sensíveis, como indústria, saúde e setores regulados, esse tipo de controle deixa de ser opcional e passa a ser essencial.
AI Defense e DefenseClaw: proteção em tempo real
Complementando a estratégia de segurança, a Cisco destacou duas iniciativas importantes.
O AI Defense aplica políticas e guardrails em tempo real, garantindo que agentes de IA atuem dentro de limites bem definidos.
Já o DefenseClaw foca na proteção da cadeia de suprimentos de IA, cobrindo comunicação entre agentes, uso de ferramentas e chamadas de API. O diferencial está na consistência: as mesmas regras valem para agentes internos e serviços externos, garantindo governança e auditoria.
Cisco IQ e Live Protect: visibilidade e proteção sem parar o ambiente
Outro ponto de destaque foi a evolução do Cisco IQ, plataforma de observabilidade que já atende mais de 2.000 clientes. Com ela, as equipes conseguem identificar ativos em fim de vida, vulnerabilidades críticas e riscos operacionais em muito menos tempo.
Quando combinado com o Live Protect, o impacto é ainda maior. O Live Protect funciona como um sistema imune digital, protegendo dispositivos contra vulnerabilidades conhecidas e zero-day sem exigir reboot ou janelas de manutenção.
Para ambientes que não podem parar, como fábricas, operações logísticas e data centers globais, essa abordagem foi vista como um verdadeiro divisor de águas.
Casos reais: GEODIS, GlobalFoundries e Starbucks
Os casos de clientes ajudaram a tirar a discussão do campo teórico.
A GEODIS, empresa global de logística com mais de 12 mil dispositivos conectados, mostrou como visibilidade e automação permitiram manter operações contínuas em um ambiente extremamente distribuído.
A GlobalFoundries, fabricante de semicondutores, destacou a capacidade de operar sem janelas de manutenção, usando automação, observabilidade contínua e proteção em runtime.
Já a Starbucks trouxe um olhar totalmente voltado ao negócio. O uso de IA para otimizar supply chain, reduzir desperdício e personalizar a experiência do cliente mostrou, na prática, como uma infraestrutura bem projetada viabiliza inovação real e impacto direto nos resultados.
Infraestrutura pronta para o futuro
Além das plataformas e do software, a Cisco também reforçou investimentos em infraestrutura física, como hardware otimizado para IA, switches inteligentes com telemetria avançada, iniciativas de quantum-safe networking e parcerias estratégicas para AI compute.
O recado foi simples e direto: não dá para rodar IA de próxima geração em infraestrutura do passado.
Conclusão🧘♂️
O Cisco Live 2026 trouxe uma mensagem mais madura e pragmática do que nunca. O futuro da TI não é apenas ter mais IA, mas ter IA operável, segura, auditável e resiliente.
Com o Cisco Cloud Control, Cisco IQ, Live Protect e o modelo AgenticOps, a Cisco mostrou que está focada em resolver o problema real das empresas: operar e proteger ambientes cada vez mais complexos, na velocidade da máquina, sem perder controle.
Para quem trabalha com redes, segurança e infraestrutura crítica, o recado final foi claro:
a era Agentic já começou e a preparação precisa começar agora.
