Sempre gostei de jogos que vão além do entretenimento puro. Assim como livros que fogem do universo estritamente técnico, alguns jogos conseguem provocar reflexões profundas que se conectam diretamente com o dia a dia de quem lida com ambientes complexos e resolve problemas sob pressão.
Recentemente, saindo um pouco do óbvio, joguei The Last Faith. Apesar de ser “apenas” mais um metroidvania soulslike à primeira vista, o jogo traz elementos interessantes que dialogam muito bem com conceitos como aprendizado contínuo, leitura de cenário e habilidades essenciais para quem atua em TI.
O que é The Last Faith?
The Last Faith é um metroidvania com forte inspiração em soulslike, apresentado em uma pixel art gótica extremamente bem trabalhada. A atmosfera é opressiva, sombria e passa constantemente a sensação de que qualquer descuido pode custar caro, algo bastante familiar para quem já operou ambientes críticos em produção.
O combate é fluido e variado, permitindo o uso de:
- espadas, machados e armas pesadas
- magias e habilidades especiais
- diferentes estilos de abordagem contra inimigos e bosses
Um ponto que se destaca é a ausência de barra de stamina, o que torna o combate mais dinâmico e menos engessado, exigindo leitura rápida do cenário e tomada de decisão constante.
Onde o jogo brilha e onde tropeça
Como qualquer sistema complexo, o jogo tem seus pontos fortes e suas limitações.
Pontos fortes:
- atmosfera extremamente imersiva
- direção de arte gótica consistente
- combate responsivo e variado
- sensação constante de risco e progressão
Pontos que incomodam:
- backtracking lento em alguns trechos
- saltos imprecisos que quebram o ritmo
- pouca inovação dentro de um gênero já bastante explorado
Mesmo assim, o conjunto funciona bem e sustenta a experiência.
Ler o ambiente antes de agir: uma lição bem conhecida em TI
Avançar no impulso em The Last Faith quase sempre resulta em punição. O jogo exige que o jogador:
- observe padrões de inimigos
- leia o ambiente antes de agir
- aceite o erro como parte do processo
- ajuste a estratégia a cada tentativa
Isso é troubleshooting em essência.
No dia a dia de TI, quantas vezes:
- o problema não se resolve na primeira tentativa
- uma ação precipitada piora o cenário
- a solução aparece só depois de entender melhor o comportamento do sistema
O jogo reforça algo essencial: não é sobre velocidade, é sobre leitura, contexto e decisão.
Falhar faz parte do processo
Assim como em ambientes críticos, errar em The Last Faith não significa fracasso definitivo. Cada derrota entrega informações valiosas:
- onde atacar
- quando recuar
- qual abordagem não funciona
Esse ciclo é muito parecido com o que vivemos ao depurar um problema complexo em firewall, rede, código ou infraestrutura. O erro vira insumo para a próxima tentativa.
Evoluir exige XP, dentro e fora do jogo
Não é muito diferente da vida. Em jogos como The Last Faith, você passa boa parte do tempo correndo atrás de XP para evoluir o personagem, torná-lo mais resistente e preparado para desafios cada vez maiores. Sem isso, simplesmente não dá para avançar.
Na vida profissional, a lógica é a mesma. A nossa “XP” vem de:
- novos conhecimentos
- novas experiências
- problemas reais
- erros que custam tempo, energia e aprendizado
Nos soulslikes, o erro é punido. Você cai, perde progresso e precisa refazer o caminho. Na vida e na carreira, também caímos. A diferença está no que fazemos depois: ou desistimos, ou usamos a queda para voltar mais fortes, mais atentos e mais preparados.
Em TI, isso é rotina. Cada incidente, cada troubleshooting difícil e cada decisão errada acumulam experiência. Com o tempo, você não elimina os problemas, mas passa a reconhecê-los mais rápido, reage melhor e erra menos.
O que fica como reflexão
The Last Faith não reinvente o gênero, mas entrega algo valioso:
disciplina mental para lidar com ambientes hostis, incertos e punitivos.
Esse tipo de experiência ajuda a desenvolver paciência, observação e capacidade de adaptação, habilidades que não aparecem em manuais técnicos, mas fazem toda a diferença no mundo real.
Conclusão 🧘♂️
Se você gosta de jogos desafiadores e trabalha resolvendo problemas complexos no dia a dia, The Last Faith oferece mais do que entretenimento. Ele funciona como um exercício constante de leitura de cenário, tomada de decisão e evolução contínua.
E, no fim das contas, é exatamente isso que fazemos em tecnologia:
caímos, aprendemos, evoluímos e seguimos em frente, um desafio de cada vez.
